AL não registra casos de micobactérias
Nas últimas semanas a Anvisa divulgou uma nota técnica alertando a população para um tipo de infecção pós-cirúrgica, causada por micobactérias, e classificando esse tipo de complicação como uma doença emergente, em virtude da ausência de registros anteriores no Brasil e em outros países, nessa proporção. Segundo o mapa do Ministério da Saúde (ver ilustração) não houve registros em Alagoas.
A nota, distribuída a clínicas e hospitais de todo o País, enfatiza que a situação é grave e está relacionada a problemas na limpeza, desinfecção e esterilização dos instrumentos e aparelhos utilizados em diversos tipos de cirurgias, especialmente instrumental que apresenta lúmen, isto é, cânulas de cirurgias vídeo-endoscópica, urológica e de lipoaspiração e em procedimentos que utilizam câmeras de vídeo, embora não haja registro de casos provocados por exames e procedimentos de diagnósticos.
Mesmo não registrando casos de micobactéria, a Gerência de Riscos e Controle de Infecções (GCIH) da Santa Casa de Misericórdia de Maceió expediu um alerta para o corpo clínico da instituição. “Estamos adotando todas as medidas preventivas necessárias para evitar adventos deste tipo”, adiantou a médica Tereza Tenório, gerente da GCIH.
Desde 2003, já ocorreram 2032 casos de infecções por Micobactéria de Crescimento Rápido (MCR) em quase todos os estados do país. Em 72% dos casos, a bactéria se desenvolveu após cirurgias abdominais, videolaparoscopia, redução de duodeno e retirada de lipomas.
A Anvisa relacionou estes casos ao fato de que essa aparelhagem vinha sendo apenas desinfetada – procedimento que dura em torno de 30 minutos – e não esterilizada – procedimento recomendado e que dura cerca de 10 horas nos serviços de saúde
Recentemente, o governo do Espírito Santo, após o surgimento dos primeiros casos de infecções por esse tipo de bactéria, relacionadas a cirurgias de lipoaspiração, proibiu temporariamente a realização deste procedimento. As lipoaspirações foram responsáveis por 3% dos casos de infecção por MCR no país.
As amostras biológicas colhidas em pessoas submetidas a procedimentos invasivos, particularmente em videocirurgias, confirmaram a ocorrência de infecção pela espécie M. massiliense. Este tipo de micobactéria tem crescimento rápido, mas pode se manifestar em até dois anos. Elas podem causar granulomas ou nódulos que podem demandar a necessidade de nova intervenção cirúrgica para a sua retirada.
Na nota técnica a Anvisa sugere que os serviços de saúde utilizem outros produtos para esterilizar os equipamentos e não mais o glutaraldeído 2%, porque a bactéria tem demonstrado resistência ao citado produto.




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