Gotas que Salvam: doação de sangue é essencial para garantir o tratamento de crianças com câncer
Especialista da Santa Casa de Maceió destaca a importância da doação regular, enquanto mãe de paciente relata como as transfusões foram fundamentais para salvar a vida do filho
A doação de sangue é um gesto simples que pode fazer toda a diferença na vida de crianças em tratamento contra o câncer. Durante a quimioterapia, é comum que a produção de células sanguíneas seja comprometida, tornando as transfusões de sangue e de seus componentes indispensáveis para a continuidade do tratamento e para a recuperação dos pacientes.

paciente da oncologia pediátrica da Santa Csa Farol, Lucas tem 7 anos e venceu etapas do tratamento graças às doações de sangue
De acordo com a assistente social do Serviço de Hemoterapia da Santa Casa de Maceió, Vanessa Fireman, como o sangue não pode ser produzido artificialmente, a doação voluntária é a única forma de garantir que crianças em tratamento oncológico recebam o suporte necessário no momento em que mais precisam.
“As transfusões ajudam a manter o tratamento, prevenir complicações e proporcionar mais qualidade de vida às crianças. Manter os estoques abastecidos é fundamental para garantir assistência contínua e segura aos pacientes”, destaca.
As transfusões podem ser necessárias em diferentes fases do tratamento, principalmente durante a quimioterapia, após procedimentos cirúrgicos, em casos de infecções, sangramentos ou quando exames apontam queda importante dos níveis de hemoglobina e de plaquetas.

Vanessa Fireman destaca que a doação voluntária garante o tratamento de crianças e de outros pacientes da Santa Casa de Maceió
Entre os hemocomponentes mais utilizados estão o concentrado de hemácias, responsável por combater a anemia e melhorar a oxigenação do organismo, e o concentrado de plaquetas, fundamental para prevenir e controlar sangramentos.
Segundo Vanessa Fireman, a redução dos estoques de sangue pode comprometer diretamente o tratamento dos pacientes. “A falta de doadores pode levar ao adiamento de transfusões e procedimentos importantes, aumentando os riscos para crianças que dependem desse suporte para continuar o tratamento com segurança.”
Essa realidade é vivida diariamente por Mariana de Melo Maya Gomes, mãe do Lucas de 7 anos de idade, paciente da Oncologia Pediátrica da Santa Casa Farol. Ela conta que, desde o diagnóstico de leucemia do filho, as transfusões passaram a fazer parte da rotina da família.
“No início do tratamento, a medula não funciona como deveria e ele ficou com uma anemia muito profunda, precisando frequentemente de transfusões de sangue. Em alguns momentos, também precisou receber plaquetas. Além disso, alguns ciclos da quimioterapia faziam a hemoglobina e as plaquetas caírem rapidamente, tornando necessária uma nova transfusão”, relata.
Para Mariana, cada bolsa de sangue recebida representou uma nova oportunidade para que o tratamento continuasse. “Doar sangue para uma criança em tratamento oncológico é salvar a vida dela. Foi isso que aconteceu com o meu filho diversas vezes. Sem essas doações, como ele sobreviveria?”

Mariana de Melo Maya Gomes, destaca a importância da doação de sangue na recuperação do filho
Além da necessidade constante de doadores, Mariana destaca a importância de ampliar a divulgação sobre a doação de sangue e o cadastro de doadores de medula óssea.
“Eu só descobri como funcionava o cadastro para doação de medula quando meu filho recebeu o diagnóstico. Infelizmente, já não tinha mais idade para me cadastrar. Talvez eu pudesse ajudar alguém, mas faltou informação. Por isso, esse assunto precisa ser divulgado para que mais pessoas conheçam e possam contribuir.”
Vanessa Fireman reforça que a doação de sangue deve ser um compromisso permanente da sociedade, já que a necessidade dos pacientes existe durante todo o ano.
“Os estoques costumam diminuir em períodos de férias e feriados, mas os pacientes continuam precisando de sangue todos os dias. Além de doar regularmente, cada pessoa pode incentivar familiares e amigos a fazerem o mesmo.”
A assistente social lembra ainda que uma única bolsa de sangue pode beneficiar mais de um paciente, já que ela é fracionada em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma, utilizados conforme a necessidade clínica de cada pessoa.
Podem doar sangue pessoas em boas condições de saúde, entre 18 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha ocorrido antes dos 60 anos), com peso mínimo de 55 quilos e documento oficial com foto. Antes da coleta, todos os candidatos passam por uma avaliação clínica para garantir a segurança de doadores e receptores.
Ao incentivar a doação voluntária, a Santa Casa de Maceió reforça que um gesto de solidariedade pode representar a continuidade do tratamento, mais qualidade de vida e esperança para crianças que enfrentam o câncer e para suas famílias.
SANTA CASA 175 ANOS – Em setembro, a Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação. Reconhecida como um dos maiores complexos hospitalares de Alagoas, a instituição foi recertificada em 2026, com o selo internacional Qmentum Diamante, reconhecimento que atesta a excelência em qualidade assistencial e segurança do paciente.
O complexo reúne unidades como a Santa Casa Farol, a Santa Casa Nossa Senhora da Guia e a Santa Casa Cancer Center, referência no diagnóstico e tratamento oncológico no estado, além de oferecer ambulatórios, pronto atendimento 24 horas, centro de diagnósticos, unidades de terapia intensiva, e cirurgias de alta complexidade.



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