Vacinas e mudança no estilo de vida podem evitar 40% dos casos de câncer

Pacientes em quimioterapia no Centro de Oncologia da Santa Casa: cuidado com a saúde passa pela reeducação alimentar e pela eliminação do tabaco e do álcool
Cerca de 40% das 12 milhões de pessoas diagnosticadas com câncer em todo o mundo anualmente poderiam evitar a doença protegendo-se contra infecções e mudando o estilo de vida, afirmaram especialistas da União Internacional contra o Câncer (UICC), em Genebra, na Suíça.
Um relatório divulgado esta semana pela UICC ressaltou que nove infecções podem levar ao câncer e pediram que as autoridades de saúde invistam em seus países em vacinas e na mudança no estilo de vida para combater a doença. Na lista de agentes infecciosos estão os vírus da hepatite C, do HIV e do Epstein Barr, um vírus primo da herpes transmitido pela saliva.
A coordenadora do Centro de Oncologia Lourival Nunes da Costa, Andrea Albuquerque, confirmou que o câncer do colo do útero e o de fígado, ambos causados por infecções, podem ser prevenidos com vacinas, mas lembrou que a mudança no estilo de vida é mais fundamental ainda para se evitar o surgimento da doença.
Andréa Albuquerque afirma que o risco de desenvolver câncer poderia ser reduzido se fossem empregadas medidas de prevenção e de imunização total da população combinadas com mudanças simples no estilo de vida das pessoas, como parar de fumar, comer saudavelmente – reduzindo a ingesta de sal, de carnes vermelhas e de proteínas – além de limitar o consumo de álcool e a exposição ao sol.
Ao comentar também o estudo, a oncologista da Santa Casa de Maceió, Flávia Mota de Alencar, salientou que o câncer de colo de útero representa o segundo tipo mais frequente de neoplasia entre as mulheres. “Incluir a vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano) no calendário vacinal teria um grande impacto na prevenção deste tipo de câncer, assim como já ocorreu com a vacina contra a Hepatite B”, disse o especialista, frisando que a vacinação se mostrou extremamente efetiva em diversos estudos.
Outro especialista do Centro de Oncologia, Divaldo Alencar estima que em 2010 surjam em Maceió 22 novos casos de câncer de colo de útero por cada grupo de 100 mil habitantes. O número é superior às estimativas da capital baiana e cearense. “No Estado serão mais de 270 novos casos deste tipo de câncer, que evolui de forma muito silenciosa e de grande agressividade, fato que muito nos preocupa e motiva a impulsionar iniciativas de prevenção e detecção precoce”, completou.
Segundo projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de mortes por câncer no mundo deverá subir 45% de 2007 a 2030, passando de 7,9 milhões para 11,5 milhões de mortes.
O UICC afirmou que quer concentrar a atenção dos responsáveis pelas políticas de saúde nas vacinas de prevenção ao câncer contra o HPV e contra a hepatite B. “As autoridades de todo o mundo têm a obrigação de usar as vacinas existentes e educar suas comunidades para que adotem medidas de controle visando reduzir o risco de câncer”, alerta o relatório.



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