Doença diverticular atinge 70% dos idosos brasileiros
Hélio Medeiros da Cunha (*)
A presença de divertículos nos cólons constitui uma das afecções benignas mais freqüentes da atualidade e é conhecida como doença diverticular. Nesta doença há a formação de bolsas (hérnias) na mucosa do intestino grosso entre as fibras musculares da parede intestinal e são constituídos apenas de mucosa e serosa.
A incidência é semelhante em homens e mulheres e aumenta com a idade. Com o passar dos anos a musculatura dos cólons vai perdendo a elasticidade e podem formar divertículos. A doença é rara abaixo dos trinta anos de idade e atinge 30% da população na quinta década da vida e entre os 80 e 90 anos a incidência chega a ser acima de 70%.
SINTOMAS
Os sintomas podem ser vagos, caracterizados por dor discreta localizada no lado esquerdo do abdômen e baixo ventre, distensão abdominal, flatulência ou dor abdominal difusa. Nos casos de diverticulite, a dor abdominal é mais intensa e geralmente localizada no lado esquerdo. Na diverticulite complicada – quando existe risco de perfuração – podem surgir abscesso e fístula, principalmente para a bexiga, ou inflamação do peritônio levando a peritonite, agravando-se o quadro.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da doença é feito pela história do paciente e exame físico, devendo-se sempre levar em consideração o fator idade. Dentre os exames complementares estão o enema opaco, a retossigmoidoscopia – que faz parte do exame proctólogico -, e a colonoscopia – que permite a visão do osteo diverticular – só sendo contra-indiciada na fase aguda da doença por provocar perfuração ou microabscesso.
Já a ultrassonografia é de muita utilidade na demonstração de abscesso intra-abdominal, sendo a tomografia computadorizada o melhor exame para caracterizar principalmente a fase aguda da doença (diverticulite).
Importante salientar que a tomografia isoladamente não é útil no diagnóstico diferencial entre diverticulite e câncer.
No que se refere aos doentes com sangramento, a arteriografia seletiva pode demonstrar o local do sangramento em 87% dos casos. O sangramento ocorre nos portadores de doença diverticular difusa em 20% dos casos, lembrando que 80% a 90% são resolvidos com o tratamento clínico. Naqueles em que a hemorragia permanece deve ser instituído o tratamento cirúrgico.
PREVENÇÃO
A doença diverticular é mais comum nos países industrializados onde a dieta é pobre em fibra e rica em carboidratos e proteínas. Por outro lado, é rara nos países africanos e asiáticos onde a população tem uma dieta rica em fibras. Por isso os médicos recomendam a ingesta de fibras, além do controle do peso e do estresse e a prática de exercício físico.
TRATAMENTO
Nos doentes que apresentem dor no lado esquerdo do abdômen, o tratamento é feito com as medidas recomendadas na prevenção, acrescidas de antiespamódicos e antifiséticos.
Na divertculite aguda, recomenda-se repouso no leito, antiespamódicos e antibióticos. Havendo agravamento da doença o paciente deve ser internado, permanecer em jejum, repousar, fazer hidratação parenteral, além de antipasmódicos e antibióticos venosos. A maioria dos pacientes responde bem ao tratamento clínico e cerca de 20% podem não responder ao tratamento, situação onde a cirurgia deve ser realizada em tempo hábil. A cirurgia cura a doença e consiste na retirada do colón sigmóide e pode ser realizada por por laparotomia ou videolaparoscopia.
(*) Coordenador do Serviço de Coloproctologia da Santa Casa de Maceió




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