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Santa Casa investe em ensino e pesquisa em AL mas não recebe apoio oficial

Mário Jucá, gerente de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Maceió

Mário Jucá, gerente de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Maceió

A Santa Casa de Maceió investe anualmente na formação de médicos residentes cerca de R$ 1,8 milhão. Desde que implantou seu Programa de Residência Médica (PRM) já foram entregues à sociedade alagoana e brasileira mais de 30 profissionais, entre cirurgiões, clínicos, nefrologistas, anestesiologistas, gineco-obstetras, pediatras e otorrinos.
Mesmo sem apoio financeiro oficial dos governos federal, estadual ou municipal, a Santa Casa de Maceió vem arcando com despesas mensais que somam R$ 200 mil no pagamento de bolsas para preceptores, residentes médicos e estudantes do estágio não obrigatório.
Além de qualificar os médicos, a Residência Médica da Santa Casa de Maceió vem ajudando unidades que são importantes para a população alagoana, como o Hospital Geral do Estado. Cerca de oito médicos residentes cumprem plantões de 12 horas no HGE, suprindo lacunas existentes na rotina daquela unidade. E não se trata de estudantes inexperientes do curso de Medicina, mas de médicos com conhecimento teórico atualizado e experiência prática.
Muita gente ainda confunde a residência médica com os estágios curriculares. A principal diferença é que a residência médica é um curso de especialização credenciado pelo Ministério da Educação destinado ao treinamento em serviço de médicos já formados. Já o estágio é um campo de aprendizado prático para acadêmicos, ou seja, estudantes de Medicina matriculados nos últimos anos do curso.
Inclusive a maior parte das especialidades – nefrologia, anestesiologia, pediatria, otorrino, cirurgia geral, além de ginecologia e obstetrícia – tem como pré-requisito a residência em clínica médica, onde o profissional passa quatro anos de aprendizado intenso.
Além do Hospital Geral do Estado, outros hospitais já contam com a contribuição de profissionais egressos da Residência Médica da Santa Casa de Maceió. Só para citar alguns podemos elencar os anestesiologistas Rodrigo Tenório e Larissa Acioli – convidados a integrar a equipe de anestesistas da instituição. Já o Hospital do Açúcar conta com a experiência do também anestesiologista Aderval de Melo Carvalho e a Unidade do Agreste, em Arapiraca, o profissionalismo do cirurgião geral Felipe Omena.
Outros estão atuando em importantes cidades do País e pelo menos um retornou. É o caso do oncologista Paulo Duprat, que após concluir a residência médica se transferiu para o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) e agora integra o quadro da Santa Casa de Maceió atendendo no Centro de Oncologia da instituição.
Outros também são destaques lá fora como o anestesiologista Pablo Gomes, no IMIP (PE); o cirurgião geral Frederick Lorena, no Hospital da Restauração (PE); o cirurgião Willagran Barbosa, em Porto Alegre e Gramado; entre outros.
O Hospital Nossa Senhora da Guia, unidade materno-infantil da Santa Casa de Maceió que atende apenas pelo Sistema Único de Saúde, também conta com uma equipe de peso da Residência Médica formada por 12 anestesistas, quatro cirurgiões, dois ginecologistas-obstetras e dois pediatras.
"O Sistema Único de Saúde é o principal beneficiário do treinamento em serviço realizado na Residência Médica, já que os profissionais qualificados aqui já estão exercendo seus conhecimentos em unidades credenciadas pelo SUS, como o Hospital Geral do Estado. O problema é que não há apoio financeiro da União, do Governo do Estado ou da Prefeitura de Maceió na formação desses médicos", disse o professor Mário Jucá, gerente de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Maceió.

Reconhecimento do MEC

A Residência Médica é apenas um dos investimentos da Santa Casa de Maceió na área de ensino e pesquisa com vistas ao reconhecimento oficial do Ministério da Educação, afirma Mario Jucá, que atua como cirurgião do aparelho digestivo e leciona na Universidade Federal de Alagoas.
Na lista de iniciativas estão o curso de especialização para médicos de Cabo Verde, o congresso multidisciplinar, criação de campos de estágio curricular para faculdades alagoanas, estágios curriculares não obrigatórios, apoio à pesquisas de conclusão de curso e de mestrado entre outras.

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