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“Importar médico é piada e a tabela SUS arruína hospitais”

“A importação de médicos é uma piada, a tabela paga pelo SUS é a ruína dos hospitais e o governo está cansado de saber que o maior problema desse país é a saúde”. O diagnóstico é do médico Humberto Gomes de Melo, provedor da Santa casa de Maceió e presidente do Sindicato dos Hospitais Particulares de Alagoas.
Em entrevista a Luciana Martins, do Primeira Edição, ele afirma que falta decisão política para resolver a crise na saúde, para acabar com leitos no chão em nosso Hospital Geral e em todos os prontos socorros do país.
Para o ex-secretário estadual de Saúde, ele admite que falta médicos no Nordeste, mormente em Alagoas, e diz que muitos relutam em ir para o interior por falta de condições de trabalho. Para Humberto Gomes, a mobilização popular nas ruas começou a mudar os rumos do país. “Os governantes ouviram o grito das ruas e não podem ficar indiferentes à vontade do povo”.

A presidente Dilma diz que pretende atender às cobranças do povo na rua começando pela saúde. Qual seria a grande prioridade nessa área?
Espero que ela ouça realmente a voz das ruas porque antes de ela ser eleita o Ibope já ouvia as ruas, os institutos de pesquisa já ouviam as ruas e as ruas já diziam que o maior problema do país é saúde. Quando o povo diz que o maior problema é saúde, ele quer dizer que é a falta de assistência, os leitos no chão em nosso Hospital Geral e em todos os prontos socorros do país. Espero que a presidente e outros governantes ouçam a voz das ruas.
Não são medidas como as que estão sendo anunciadas; importação de médicos estrangeiros não vai resolver nada. O governo precisa investir na saúde. Veja: quando a gente analisa os valores repassados dos Ministérios para os Hospitais Universitários, verificamos que são oito, dez vezes mais do que está pagando pelas tabelas do SUS. Quando se contratam instituições, a ordem de serviço (OS) paga cinco, seis, sete vezes mais do que se paga para quem está prestando assistência no dia-a-dia. Essas coisas precisam ser olhadas.

Como o senhor avalia a pretensão do governo federal de importar médicos cubanos para atuar no Sistema Único de Saúde?
Como uma piada. Acho que a importação pode até acontecer desde que permita ou se determine que esses profissionais sejam avaliados da mesma forma que qualquer um de nós, médicos, que for atuar em outro país. Tem que passar por uma avaliação. Se passar, pode atuar, senão passar, não pode. É dessa forma que vejo que há necessidade de se incrementar as faculdades de medicina com credibilidade e não da forma eleitoreira como foram criadas algumas. É preciso que tenham condições de ensino e hospital de referência como suporte.

O Brasil tem médicos de menos, ou a escassez existe porque ninguém quer trabalhar para o SUS?
Que tem médicos de menos, tem. E que ninguém quer trabalhar para o SUS é outra verdade. Também há uma concentração muito grande no Sudeste. É evidente que os médicos, por mais que recebam para ir ao interior do país, eles relutam porque não encontram condições para que possam atuar como médicos. Eles permanecem com a responsabilidade do juramento que fizeram, pois não aceitam ser responsáveis por uma atuação que não seja digna para tratar quem os procura.

Há necessidade de mais escolas e mais cursos de Medicina no País?
Há sim, em locais onde há escassez desses profissionais, como no Nordeste, e Alagoas é um dos estados que mais precisam. Aqui, estamos fazendo parceria entre Santa Casa e Cesmac para abrir um curso de Medicina com qualidade e credibilidade que as instituições têm hoje. E a gente sabe que na região Nordeste foram criados alguns cursos que não têm condições necessárias para formar bons médicos.
Além disso, há uma necessidade também para o incremento da residência e o governo está olhando para isso agora, mas é preciso ver quais as instituições em que serão colocadas essas residências médicas. Não deixar que elas sejam criadas sem que venha o incentivo necessário. A Santa Casa de Maceió há muito tempo vem investindo na residência médica e hoje temos 39 residentes, todos bancados pela instituição Santa Casa e o nosso custo com essa residência é de R$ 150 mil/ mês e não recebemos absolutamente nada do governo para isso.

O que há de errado com o SUS, que não funciona como deve?
Primeiro, não tem os valores necessários para que possa ter uma remuneração condigna e precisa realmente ser estruturado para que haja uma descentralização maior para que os profissionais, não só os médicos, tenham condições de trabalho na unidade do SUS.

Nesse momento, qual a principal dificuldade enfrentada pelos hospitais particulares?
A tabela altamente defasada. Essa é uma dificuldade que os hospitais têm enfrentado porque é impossível sobreviver com tabela vigente. A Santa Casa tem demonstrado e somos uma das poucas instituições que têm conseguido prestar serviço ao SUS. Mas, para que isso, ela está deixando de investir aquilo que usa para subsidiar os valores pagos pelo SUS.

A Santa Casa de Maceió conseguiu viabilizar financiamento do BNDES para a construção do novo Centro Hospitalar, acoplado à sede da instituição, na Rua Dias Cabral?
O projeto está sendo trabalhado, houve modificações nesse projeto e acreditamos que até o final do ano o projeto esteja pronto para que possa trabalhar junto ao BNDES. Nós também temos outros projetos, e o mais imediato, é a inauguração no dia 27 de julho a unidade Farol da Santa Casa de Maceió. Esta unidade vai funcionar como hospital geral com foco para o atendimento materno-infantil. A emergência pediátrica será transferida para a unidade Farol, que funcionará no antigo Hospital Santa Juliana. Haverá também uma emergência obstétrica que servirá de suporte para a Santa Casa.

O fim da CPMF agravou o quadro da saúde nacional ou o problema é de gestão dos recursos disponíveis?
O problema é de decisão política, não foi o fim do CPMF. Esse foi um recurso usado como engodo para a população e quem trabalhou por ele, o dr. Adib Jantene, teve que deixar o Ministério da Saúde porque pediu aos parlamentares que aprovassem como um recurso extra da saúde e o governo decidiu que dava com uma mão e tirava com outra como foi feito. Então, não foi nem a vinda, nem a saída da CPMF que influi nos valores para o SUS. O que influi nos valores pagos pelo SUS é a falta de decisão política dos governantes.

Como o senhor avalia as manifestações populares que tomaram conta do Brasil em junho?
Em muito boa hora, a população, que não estava sendo ouvida, que dizia através de pesquisa, ela foi para as ruas para dizer que existe e quer que isso exista, que ela quer ser ouvida pedindo em manifestações pacificas que seja olhada a saúde, educação, segurança e transporte público. Condenamos o vandalismo, condenamos a infiltração de pessoas que querem tumultuar um chamamento sadio da população brasileira.

A seu ver, os protestos podem fazer o país mudar de rumo, mesmo com os políticos e governantes que estão aí?
Já estão fazendo. Nos poucos dias desse chamamento, já sentimos modificações. O Congresso já ativou propostas que estavam engavetadas e começaram a ser aprovadas. Acreditamos que isso vai continuar. Várias reuniões feitas pelo executivo, chamamento não só para os governadores e prefeitos, a própria sociedade começa a ser ouvida pelos governantes.

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