Em mensagem, arcebispo abençoa a Mesa Administrativa
Meus Irmãos,
Paz e benção a todos.
Estou impossibilitado de comparecer a esta cerimônia de posse em razão de estar em viagem, razão pela qual, na forma do Estatuto Social da entidade, nomeei o mesário e Cônego JOÃO JOSÉ DE SANTANA NETO para representar a Arquidiocese de Maceió junto à Santa Casa de Misericórdia, para que ele cumpra a determinação estatutária e presida a posse do Provedor e da Mesa Administrativa para o quadriênio 2015/2018.
Saúdo, portanto, o Dr. Humberto Gomes de Melo, eleito pela irmandade para exercer o encargo de Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, bem como aos membros da Mesa Administrativa da instituição: Vice-Provedor João Augusto Sobrinho, 1º Secretário (Escrivão) Marcos Davi Lemos de Melo, 2º Secretário (Escrivão) Giovani Almeida Cavalcante de Albuquerque e os Mesários Duílio Marsiglia, Euclides Ferreira de Lima, Francisco de Assis Gonçalves, Ivone dos Santos, José Peixoto dos Santos e Milton Hênio de Gouveia.
No momento em que se inicia mais um período administrativo da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, temos de voltar nossos olhos para a sua história e para os objetivos que a sustentam. Desde a sua concepção original, as Santas Casas sempre tiveram por objetivo cumprir os fundamentos da doutrina cristã, calcada na caridade e na filantropia, tendo na Irmandade seu sustentáculo mais importante, vez que dela devem emanar todas as orientações sobre a condução da instituição.
Quando o Rei Dom Manuel I fundou as primeiras Santas Casas, em Portugal, foi instituído o "Compromisso da Misericórdia de Lisboa", que previa quatorze compromissos basilares a serem cumpridos pelas entidades, compromissos esses ainda hoje atuais: ensinar os simples, dar bons conselhos, castigar os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, sofrer com paciência, orar pelos vivos e pelos mortos, visitar os enfermos e os presos, remir os cativos, vestir os nus, dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, abrigar os viajantes e enterrar os mortos.
O tempo passou, o mundo se modernizou, mas, os mesmos problemas de então permanecem atuais.
Chamada inicialmente de Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió, fundada pelo Cônego João Barbosa Cordeiro no ano de 1851, precisa manter seus "compromissos" de filantropia e caridade, próprios da sua concepção.
No momento em que a instituição passa por momentos de alguma incerteza, cabe-me suplicar a imprescindível inspiração do Divino Espírito Santo de DEUS para que consigamos superar os percalços vivenciados, jamais fugindo dos objetivos fundamentais da entidade de proporcionar bem estar para aqueles que, desvalidos, precisam da nossa caridade, do nosso aconchego, da nossa mão.
A história da Santa Casa de Misericórdia de Maceió é quase bicentenária, tendo sido escrita por cidadãos que se comprometeram com o desenvolvimento da instituição, sem buscar benefícios ou promoções pessoais. Assim deve permanecer. Assim deve ser.
A Santa Casa deve estar focada naquilo que for importante para o desenvolvimento de suas atividades, não se descuidando de ter uma gestão compartilhada com os membros da Mesa Administrativa, composta de pessoas com história de vida irreparável e que merecem o respeito e admiração de toda a sociedade alagoana. Devem eles participar e decidir os melhores caminhos a serem trilhados pela entidade, em conjunto com a Provedoria. Tudo deve ser feito de forma compartida. A Mesa Administrativa, em última análise, tem a responsabilidade de verificar a correta aplicação dos recursos da instituição.
A Irmandade, há de ser registrado, é composta de cidadãos probos comprometidos com a decência, a honestidade e a honradez. Tem ela a obrigação de acompanhar os passos da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, verificando e constatando que está havendo o cumprimento à risca do seu papel e dos seus objetivos primordiais.
Crescer sempre, mas, com inegável responsabilidade, tendo em mente que a instituição é pia, não podendo a entidade fugir jamais deste destino.
A Santa Casa de Maceió não é uma reunião de pessoas, não é um grêmio, não é uma irmandade qualquer. É ela uma associação de fiéis comprometidos e que professam a fé católica, e que estão sob o zelo e o cuidado da Autoridade Eclesiástica, aqui em Maceió sob a Arquidiocese, na pessoa do Arcebispo Metropolitano.
A Santa Casa de Misericórdia de Maceió é uma instituição PIA, consoante previsto nos seus Estatutos Sociais, submetendo-se à "vigilância da autoridade eclesiástica", conforme se colhe do Cânone 305, do Código Canônico.
No Ano Novo que se inicia, roguemos ao bom DEUS que nos dê o necessário atilamento para termos uma Santa Casa de Misericórdia presente na sociedade alagoana, buscando sempre cumprir a sua missão institucional de entidade focada em proporcionar saúde de boa qualidade para todos, cumprindo sempre a filantropia e a caridade.
Dom Antônio Muniz Fernandes
Ordem Carmelita
Arcebispo Metropolitano de Maceió




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