Cardiologia da Santa Casa de Maceió utiliza novo dispositivo de corte
O Serviço de Eletrofisiologia e Marcapasso da Santa Casa de Misericórdia de Maceió realizou, no dia 2 de março, a primeira troca de um Gerador de CDI (Cardioversor-Desfibrilador), em Alagoas, com o uso do Plasmablade. No Nordeste, o dispositivo de corte que substitui o bisturi elétrico, elevando o grau de segurança durante o procedimento, foi usado apenas em Salvador, na Bahia.

Dispositivo foi utilizado para a troca de Gerador CDI em paciente de 72 anos
A troca foi executada pela equipe do cardiologista Edvaldo Xavier utilizando o quarto elemento da natureza, o plasma, e devolveu a um senhor de 72 anos a qualidade de vida pela qual o paciente vem lutando nos últimos anos. “Ele tem taquicardia ventricular, uma condição que ocorre devido a um problema com os impulsos elétricos do coração. Há oito anos ele teve implantado um dispositivo que agora precisou ser trocado. Como havia necessidade da separação dos tecidos orgânicos dos eletrodos, foi utilizado, pela primeira vez, o Plasmablade, que tem como principal propriedade agir apenas no tecido biológico, não havendo risco de lesões nos eletrodos cardíacos. Ou seja, não danifica os fios do aparelho, garantindo sua integridade”, explicou o eletrofisiologista.

Bisturi de plasma reduz o tempo do procedimento e de internação do paciente
Outra característica do uso do bisturi de plasma é que aparelho não produz fumaça cirúrgica, um subproduto do uso de dispositivos de energia (por exemplo, unidade de eletrocirurgia, lasers, instrumentos elétricos), ao cortar o tecido orgânico. “Com o bisturi de plasma temos a produção de vapor de água”, disse o especialista.
A técnica é indicada para cirurgias de médio a grande porte, pois permite maior precisão em relação ao bisturi normal e melhor controle do sangramento na hora da cirurgia oferecendo menos riscos ao paciente. “O procedimento também diminui o risco de necrose e de lesão térmica da pele, já que trabalha com temperaturas mais baixas que o bisturi tradicional, sendo ideal para pacientes em determinadas situações e com problemas mais graves de saúde”, disse Edvaldo Xavier.
Instituição investe em tecnologia para tratar arritmias
A taquicardia ventricular pode se desenvolver como uma complicação de um ataque cardíaco ou pode ocorrer em pessoas com certas condições, como doença cardíaca valvular. Os sintomas incluem dor no peito, desmaios, tonturas e falta de ar. Para o tratamento são indicados medicamentos para retardar o ritmo cardíaco, cirurgia e um dispositivo implantável.
“Algumas arritmias são rápidas a ponto de fazer com que o coração não consiga mais bombear o sangue necessário para o corpo funcionar direto, em alguns casos levando à parada cardíaca”, explicou o eletrofisiologista, Edvaldo Xavier.
Em outubro do ano passado, na vanguarda da cardiologia alagoana, o Serviço de Eletrofisiologia e Marcapasso do hospital foi o segundo em todo o Norte-Nordeste a realizar duas cirurgias de crioablação por balão para tratamento da fibrilação atrial, que a arritmia cardíaca mais comum na prática médica, podendo ocorrer em cerca de 2% da população geral e em 10% da população na faixa etária acima dos 70 anos.

Com sua equipe, o eletrofisiologista Edvaldo Xavier realizou a primeira troca de Gerador CDI, em Alagoas, com bisturi de plasma
Via cateterismo, o método corrige o ritmo cardíaco, cauterizando as veias com um balão a uma temperatura de – 60ºC. O médico precisa de, no máximo, duas horas para realizar o procedimento, que é minimamente invasivo para o paciente.
Já o dispositivo trocado no paciente operado em março, o CDI, é um aparelho implantável semelhante ao marcapasso, mas que não evita as arritmias. Ele reconhece uma arritmia quando ela aparece, avalia sua gravidade e, quando indicado, a interrompe por meio de choque ou estimulação rápida – como um desfibrilador. Os CDIs também funcionam como marcapasso quando necessário.



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