Obesidade atinge milhões de pessoas e cirurgia bariátrica é uma das alternativas de recomeço
A obesidade é hoje um dos maiores problemas de saúde pública do país. De acordo com informações do Atlas Mundial da Obesidade 2025, divulgadas em março, 31% da população convive com a doença — o equivalente a um em cada três brasileiros. A projeção é a de que esse número aumente nos próximos cinco anos.

Bruno Motta, cirurgião bariátrico da Santa Casa de Maceió
O cirurgião bariátrico da Santa Casa de Maceió, Bruno Motta, alerta para a gravidade da situação e lembra que, além de ser uma condição clínica, a obesidade também carrega estigmas sociais.
“Infelizmente, é a única doença em que o paciente é visto como culpado sem ter nenhuma culpa. Trata-se de uma doença endócrina metabólica, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e pela Organização Mundial da Saúde, e que leva o paciente a ter facilidade enorme de ganhar peso e uma dificuldade extrema de perder”, pontua.
Divulgados pelo Ministério da Saúde em 2024, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) avaliou mais de 26 milhões de pessoas e mostrou que 34,66% da população apresenta algum grau de obesidade. Somente no último ano, segundo a pesquisa, mais de 1,1 milhão de brasileiros chegaram ao grau 3 da doença.
Na Santa Casa de Maceió, duas pacientes encontraram na cirurgia bariátrica uma oportunidade de recomeço. A história foi contada em reportagem exibida pela TV Pajuçara na quarta-feira (10).

Isabel Melo, de 55 anos, pesava 118 quilos antes da cirurgia bariátrica
Isabel Melo, de 55 anos, pesava 118 quilos, e relatou que a obesidade sempre esteve presente em sua vida. A herança genética tornou sua trajetória ainda mais desafiadora. “Eu não conseguia fazer uma caminhada, minhas pernas doíam, meus joelhos doíam, e eu cansava muito rápido. Era difícil quando na escola você era chamada de gordinha. Na adolescência isso continuou, e na vida adulta também”, recorda.
Já Luma Andrade, de 31 anos e 93 quilos, convivia com diversas comorbidades. Diagnosticada com diabetes, hipertensão e arritmia cardíaca, precisava de medicações diárias para manter a saúde. “Eu tomo 12 comprimidos pela manhã, cinco à noite, além da insulina. Isso, na minha idade, realmente é algo gritante”, conta.

Luma Andrade sofria com diversas comorbidades
Além dos problemas clínicos, o julgamento social também pesava. “A gente fica refém de uma sociedade que julga e a gente vai perdendo a autoestima” desabafa Luma. A decisão pela cirurgia foi motivada pelo desejo de viver com mais qualidade. “Eu tive uma grande perda e isso me encorajou a tomar a decisão. Eu tenho filhos e pessoas que querem me ver bem. Preciso dar o meu melhor”, afirma Luma.
Já Isabel projeta novos sonhos. “Quero ver a Isabel vestindo 44 de novo, caminhando, indo a um parque e poder subir num brinquedo com a minha filha… Quero ser uma pessoa viva, fazer coisas que hoje não consigo fazer.”
Brasil é destaque em número de procedimentos
Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, entre 2020 e 2024, o Brasil realizou mais de 290 mil cirurgias bariátricas, sendo o segundo país do mundo que mais realiza esse tipo de operação, atrás apenas dos Estados Unidos.

Maria Maciel, repórter da TV Pajuçara
A maioria dos procedimentos no país é feita por videolaparoscopia, técnica que utiliza pequenas incisões no abdômen para a inserção de instrumentos cirúrgicos e uma câmera de alta definição, garantindo maior precisão.
Outro avanço é a cirurgia robótica, considerada a terceira geração da cirurgia minimamente invasiva. Ela oferece visão tridimensional ampliada e movimentos mais naturais, aumentando significativamente a segurança e a eficácia do procedimento. Em Alagoas, a Santa Casa de Maceió é referência por ser o único hospital a disponibilizar essa tecnologia para os pacientes.
Apesar dos avanços, o especialista ressalta que a cirurgia não deve ser vista como solução milagrosa. “Ela precisa ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar, com atividade física e alimentação saudável, para manter a perda de peso a longo prazo, devolvendo principalmente qualidade de vida ao paciente”, destaca o cirurgião Bruno Mota.
Resultados que transformam vidas
Para Isabel e Luma, a mudança já é realidade. Com apenas uma semana de cirurgia, elas voltaram ao médico para avaliação e se surpreenderam com os primeiros resultados. “Ao contrário do que eu esperava, com oito dias de cirurgia já estou com todas as glicemias controladas e sem tomar nenhuma medicação, nem mesmo insulina. Estou começando uma vida nova, livre do diabetes”, comemorou Luma.
Isabel também celebrou os ganhos imediatos. Em apenas 10 dias, eliminou 15 quilos e já consegue retomar atividades antes limitadas. “Eu não me reconheço mais naquela Isabel. Estou mais leve, já consigo caminhar, e quero voltar a dançar, entrar em uma piscina e sair sozinha. Isso é de muito orgulho para mim”, relatou emocionada.



Deixe uma resposta