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Pacientes compartilham novas rotinas e aprendizados após vencer o câncer de mama

Apoiadora do Outubro Rosa, Santa Casa de Maceió ressalta a importância da prevenção e do autocuidado

O diagnóstico de um câncer de mama costuma mudar completamente a vida de quem o recebe. Medo, incerteza e angústia se misturam aos desafios do tratamento, mas também podem dar lugar à coragem, à fé e à redescoberta de um novo modo de viver.

Neste Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização e à prevenção do câncer de mama, a Santa Casa de Maceió compartilha histórias de mulheres que enfrentaram a doença com força e hoje celebram a vida com gratidão, novos hábitos e um olhar mais carinhoso sobre si mesmas.

Maria de Lourdes Melo: “Aprendi a valorizar mais a vida”

Maria de Lourdes, de 71 anos, hoje se considera uma mais mulher forte e consciente em cuidar da saúde

Aos 54 anos, Maria de Lourdes Melo recebeu o diagnóstico de câncer de mama. O susto foi grande, mas o apoio da família e o acompanhamento médico foram essenciais para que ela encarasse o tratamento com coragem. “Foi um momento muito difícil. Senti medo, tristeza e angústia. Mas comecei o tratamento assim que descobri e contei com o apoio da minha família o tempo todo”, relembra.

Durante o processo, Lourdes precisou adaptar sua rotina e adotar novos hábitos. Hoje, aos 71 anos, ela se considera uma mulher mais forte e consciente da importância de cuidar da saúde. “Você aprende a valorizar mais a vida e a priorizar os momentos que são realmente importantes”, afirma.

A atividade física e o convívio familiar foram fundamentais para atravessar o período mais delicado com leveza. “A família e a rotina de exercícios me ajudaram muito. O que eu deixo de mensagem é: tem que lutar mesmo diante da dificuldade, pois a vida continua.”

Edlane Laurentino: duas batalhas e uma vida repleta de conquistas

Edlane Laurentino da Silva teve o primeiro diagnóstico de câncer de mama aos 38 anos. Após o tratamento inicial, que incluiu cirurgia, radioterapia e quimioterapia, acreditou ter superado a doença, mas, cinco anos depois, o câncer voltou.

Aos 56 anos, Edlane celebra quase três décadas de superação e uma rotina ativa, cheia de energia e gratidão

“A doença voltou com cinco anos, e a médica resolveu fazer a retirada total da mama. Foram oito sessões de quimioterapia, mas graças a Deus, desde então, estou bem”, conta.

Hoje, aos 56 anos, Edlane celebra quase três décadas de superação e uma rotina ativa, cheia de energia e gratidão. “Faço funcional, caminhadas e participo da Remada Rosa da Rede Feminina, que me faz muito bem. Levo minha vida normalmente. Quando a gente descobre, pensa que é uma sentença de morte, mas não é. Eu pensei nos meus filhos, netos e bisnetos e graças a Deus, estou aqui, vivendo e aproveitando cada momento”, afirma emocionada.

Embarcação do Projeto Dragon Boat formada por mulheres mastectomizadas atendidas pela Santa Casa de Maceió

Formado por mulheres mastectomizadas, todas atendidas pela Santa Casa de Maceió, o grupo de remadoras Eu Mama Rosa, utiliza a canoa com formato da cabeça e da cauda do dragão, dentro do Projeto Dragon Boat da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Na embarcação, as 22 atletas se dividem entre remadoras, timoneira e ritmista, que remam de forma sincronizada e praticam um exercício que as ajuda a não desenvolver linfodemas.

Acolhimento na Santa Casa de Maceió

Além dos cuidados médicos, o apoio emocional é uma parte fundamental na recuperação e no fortalecimento de quem enfrenta o câncer de mama. Na Santa Casa de Maceió, o Projeto Mama Mulheres Vencedoras atua justamente nesse acolhimento, reunindo mensalmente cerca de 40 mulheres em diferentes fases do tratamento oncológico.

De acordo com a psicóloga da instituição Kelly Costa, que acompanha o grupo, o maior desafio enfrentado pelas pacientes está relacionado à autoimagem. “A mastectomia e a perda do cabelo são os que têm maior impacto emocional. Essas mudanças trazem sentimentos como angústia e tristeza, exigindo um processo de reconstrução emocional constante”, explica.

Kelly Costa, psicóloga da Santa Casa de Maceió

Para ela, o suporte psicológico é essencial nesse processo de superação e na retomada da autoestima. “O acompanhamento psicológico oferece um espaço de escuta e fala para mulheres em tratamento oncológico, ajudando a enfrentar a doença e a lidar com as alterações na autoimagem. É um processo que mostra que existe uma pessoa além do adoecimento”, destaca.

A convivência com outras mulheres que vivem situações semelhantes também faz diferença no tratamento. “O grupo é um espaço acolhedor para partilhar experiências e mostrar que é possível passar por todo o processo com determinação, persistindo no bem-estar físico e emocional”, completa a psicóloga.

Segundo Kelly, a rotina dessas mulheres muda completamente após o diagnóstico, mas o olhar sobre a vida também se transforma: “A mulher exerce muitas funções no dia a dia, e o adoecimento muda tudo. O foco passa a ser o tratamento e a recuperação, o que traz repercussões emocionais importantes. Por isso, o suporte psicológico é imprescindível.”

Prevenção salva vidas

Assim como Maria e Edlane, milhares de mulheres superam o câncer de mama todos os anos graças ao diagnóstico precoce e à força que encontram no apoio familiar, médico e psicológico. A detecção antecipada da doença aumenta significativamente as chances de cura, reforçando a importância dos exames de rotina e do autoexame.

O Outubro Rosa é, acima de tudo, um convite à conscientização e ao autocuidado, um lembrete de que a prevenção salva vidas e que, com apoio e informação, é possível vencer o câncer de mama e renascer para uma nova vida.

Projeto Mama-Mulheres Vencedoras acontece toda ultima segunda-feira do mês

Projeto Mama Mulheres Vencedoras – Idealizado pelo Serviço de Psicologia, com o apoio da Rede Feminina de Combate ao Câncer, acontece na última segunda-feira de cada mês. Trata-se de um grupo psicoeducativo para mulheres em tratamento de câncer de mama ou que já passaram por tratamento, mas também é aberto à comunidade.

 

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