Pedras nos rins afetam 10% da população mundial, aponta OMS
Especialista da Santa Casa de Maceió explica fatores de risco, sintomas e formas de prevenção da doença
As pedras nos rins ou cálculos renais, conhecidas cientificamente como nefrolitíase, são formações sólidas que se originam predominantemente nos rins, podendo migrar pelo trato urinário, incluindo ureteres, bexiga e uretra. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 10% da população mundial sofrem da condição.
De acordo com a nefrologista da Santa Casa de Maceió, Daniella Duarte, essas formações surgem a partir de um desequilíbrio entre substâncias que favorecem a cristalização e outras que inibem esse processo. “Quando há aumento das substâncias que promovem a cristalização ou diminuição das que inibem, ocorre a formação das pedras”, explica.

Daniella Duarte, nefrologista da Santa Casa de Maceió
Grupos mais suscetíveis
Segundo a especialista, os cálculos renais são mais frequentes em homens, mas o número de casos entre mulheres vem crescendo, especialmente pela associação com fatores metabólicos, como obesidade e sedentarismo. “Esses grupos acabam se tornando mais vulneráveis ao desenvolvimento da doença”, ressalta a médica.
Sintomas e diagnóstico
Em muitos casos, as pedras podem estar presentes sem causar sintomas, sendo descobertas em exames de rotina. O problema surge quando ocorre a migração do cálculo pelo sistema urinário, gerando a chamada cólica renal.
“É uma dor aguda e intensa, localizada na região lombar, que pode irradiar para o abdome, região inguinal (virilha) e, em alguns casos, para os órgãos genitais”, detalha a nefrologista.

Pacientes com grandes cálculos podem não sentir nada, enquanto pequenos cálculos podem provocar muita dor
O diagnóstico é feito pela história clínica e confirmado por exames de imagem. A tomografia computadorizada sem contraste é considerada o padrão-ouro em casos de crise, enquanto exames como ultrassonografia e radiografia podem auxiliar no acompanhamento.
Prevenção
A hidratação é um dos principais aliados na prevenção. A ingestão adequada de líquidos, suficiente para manter uma diurese diária superior a dois litros ajuda a evitar que a urina fique concentrada e, consequentemente, a formação dos cálculos.
Na alimentação, a especialista orienta evitar o consumo excessivo de sal, proteínas animais — especialmente carnes vermelhas e vísceras — e dietas muito ricas em suplementos sem indicação médica. “Esses fatores favorecem a formação das pedras. O equilíbrio nutricional é fundamental para a saúde renal”, orienta.

É comparado com “grãos de areia” que se juntam dentro do rim e formam uma verdadeira pedra
Tratamento e acompanhamento
O tratamento varia de acordo com o tamanho e a localização do cálculo. Crises de cólica renal podem ser controladas com medicação para dor, mas cálculos maiores podem exigir intervenções da urologia, como ureteroscopia ou até mesmo cirurgia.
Enquanto isso, o papel da nefrologia é voltado para a prevenção de novos cálculos, identificando fatores predisponentes e, quando necessário, utilizando medicamentos para reduzir a excreção de substâncias que favorecem a formação.
Possíveis complicações
Quando não tratados, os cálculos renais podem obstruir o trato urinário e favorecer infecções graves, como a pielonefrite, o que pode causar cicatrizes e comprometer a função dos rins. Medidas que servem para a maioria dos pacientes com cálculos são aumentar a ingesta hídrica, com o objetivo de o paciente urinar mais de 2 litros por dia.
Para isso, pode-se verificar a cor da urina. Ela deve estar bem clara, quase transparente. Se a urina estiver amarelada é sinal que mais água deve ser ingerida. Além disso, a doença impacta diretamente na qualidade de vida do paciente, provocando dor intensa e afastamentos das atividades diárias.
“É uma condição recorrente: quem já teve cálculo tem cerca de 50% de chance de formar novos cálculos em até dez anos. Por isso, é essencial o acompanhamento médico para reduzir riscos e preservar a saúde renal”, finaliza a nefrologista.



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