ARTIGO: Saúde continua sendo o “calcanhar de Aquiles” dos governantes
Dr. Humberto Gomes de Melo (*)
O ano de 2012, como em anos anteriores, não foi bom para a saúde da população brasileira. No momento em que as pesquisas revelam um alto índice de aprovação da presidente Dilma Rousseff, essas mesmas pesquisas revelam que a saúde continua sendo o "calcanhar de Aquiles" do governo. Mas, temos que fazer justiça, o problema não é apenas do governo federal. Estados e municípios também têm sua parcela de culpa, seja na gestão dos recursos, seja na prioridade e destinação destes mesmos recursos.
De norte a sul do País são frequentes as manchetes dos jornais com pacientes atendidos no chão de hospitais públicos ou de unidades de saúde onde faltam profissionais, equipamentos ou infraestrutura para um atendimento, no mínimo, humano. Aí fica a pergunta: como é possível ocorrer situações como estas num SUS que é referência mundial na realização de transplantes, nas campanhas de vacinação e no Programa de Combate a AIDS, dentre muitos outros?
Mesmo sem uma resposta para esta pergunta, os números revelam que existe sim uma discrepância entre a saúde pública e a privada. Em 2011, os gastos do Ministério da Saúde com assistência hospitalar e ambulatorial somaram R$ 37,6 bilhões para atender 144,8 milhões de brasileiros (¾ da população) que dependem exclusivamente do SUS. Enquanto isso, as operadoras de planos de saúde gastaram R$ 68,1 bilhões para atender 47,6 milhões de usuários (¼ da população).
No nosso entendimento, o que está faltando é decisão política firme de todas as áreas governamentais para que o setor saúde venha a ser contemplado com os recursos financeiros necessários a uma assistência imprescindível e digna.
Assim como nas contas domésticas de cada cidadão, o custo do atendimento médico-hospitalar também sofre variações mensais. Diante desta realidade, como o SUS explica a manutenção de uma tabela de remuneração de profissionais e estabelecimentos de serviço de saúde que não sofre alterações há mais de 10 anos? Apesar disso, muitos hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde estão fazendo a sua parte e investindo em qualidade assim como na certificação conhecida como Acreditação, cujo foco é a segurança assistencial do paciente.
Entre esses centros de excelência está a Santa Casa de Maceió, instituição que alcançou recentemente a Acreditação plena e que agora inicia os primeiros passos com vistas a ser a primeira Santa Casa brasileira a conseguir a Acreditação Internacional Canadense.
Enfim, espero que o nosso exemplo possa beneficiar outras instituições de saúde do País que anseiam por ampliar sua atuação e se destacar no cenário nacional.
(*) Humberto Gomes de Melo é presidente da Fenaess (Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde) e provedor da Santa Casa de Maceió




Deixe uma resposta