Santa Casa de Maceió promove palestra de sensibilização sobre colaboradores PcD
A lei exige que empresas com mais de 100 colaboradores reservem um percentual para que Pessoas com Deficiência (PcD) tenham a oportunidade de entrar ou voltar ao mercado de trabalho. Dentro do projeto institucional Inclusão Além da Cota, a Santa Casa de Maceió promoveu mais uma ação na terça-feira (27), com uma palestra de sensibilização sobre o tema com as lideranças dos setores.
Na ocasião, Maria das Graças Souza dos Santos, assessora especial na Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (SECDEF), ministrou uma palestra sobre Inclusão x Capacitismo, pontuando os desafios para a sensibilização da sociedade e das empresas para o tratamento inclusivo.

Maria das Graças Souza dos Santos, assessora especial da SECDEF, durante palestra
Durante o evento, quatro colaboradoras PcD contaram um pouco sobre sua trajetória até conquistar uma vaga de trabalho na Santa Casa de Maceió. Uma delas é Maria Célia de Amorim, que faz parte da instituição deste 20 de dezembro de 2010.
“Quando eu entrei o prontuário era físico, agora é tudo informatizado. Tem pessoas no meu setor que dizem que nunca viram uma deficiente ter tanto orgulho da sua deficiência. Sempre aprendi com meu pai e minha mãe que a minha mão não era empecilho. Eles, quando em vida, me davam a oportunidade de fazer as mesmas coisas que uma pessoa que tem as duas mãos. Toda vez que meu pai ia descascar coco no terreno de casa, eu ficava observando e aprendi a descascar coco na enxada, no facão, e na foice. Me sinto uma pessoa que não tem dificuldades. Se eu tiver a oportunidade de ver, ter a orientação, vou lá e faço”, disse a colaboradora que atua o Núcleo de Avaliação do SUS.

Colaboradoras da insituição fizeram relatos sobre como chegaram até a insituição
Antes de ser colaboradora do hospital, Maria Célia quase se tonou coveira. “Eu estava desempregada e tinha uma filha pequena para criar. Apareceu uma oportunidade de trabalhar em um cemitério. Fiz a prova com outros cinco homens, e passei em primeiro lugar. De manhã me ligaram pedindo meus documentos, então estava certa que iria para lá. Mas, à tarde, me ligaram da Santa Casa de Maceió dizendo para eu ir lá. Minha mãe pediu por tudo para que eu escolhesse o hospital. Hoje faço 14 anos de casa”, contou.
Aos 33 anos e mãe de três filhos, Thaisa Vanessa de Oliveira Souza é uma das mais novas contratadas pela instituição. Ela nasceu cega do olho direito em razão da rubéola que sua mãe teve enquanto estava grávida. “É a primeira vez que trabalho na área hospitalar. Entrei sem saber o que faço hoje. Passou um, dois, três dias e achava que não ia aprender, mas hoje, graças a Deus, executo todas as demandas que minha liderança solicita. Sou grata pela oportunidade que tive, pois vejo que muitas empresas ainda não tem essa abertura”, compartilhou a auxiliar administrativa que atua no setor de Relações Trabalhistas.
Com mais de 2700 colaboradores, a instituição, periodicamente, oferta vagas de emprego para o preenchimento de vagas administrativas e operacionais. Após análise do currículo e do laudo que atesta que o candidato é PcD, o possível colaborador passa por outras fases e seleção no setor de Recrutamento.

Railene Cunha Gomes, auditora do Trabalho, falou durante o evento
A auditora do Trabalho, Railene Cunha Gomes, acompanhou os minutos finais do evento, mas disse ser importante ações como a da Santa Casa. “Acredito que o projeto vai modificar o sistema de contratação de Pessoas com Deficiência para a instituição e cumprir a cota. Estou muito animada e quero agradecer por estar divulgando esse tipo de projeto. Que outras empresas também sigam o exemplo, e que façam uma mobilização em busca de PcDs para o mercado de trabalho e essa inserção”, ressaltou a servidora pública.

















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